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Hoje apetece-me ter um blog.
Hoje apetece-me ter um blog. - SAPO Blogs

  • 'A' bicicleta

    Nunca pensei que uma bicicleta baratucho pudesse ganhar tanto significado na vida de uma pessoa.

     

    Algures durante a semana que acabou ontem decidi que ia perder o amor ao dinheiro e tratar de, finalmente, comprar uma bicicleta. Nova ou em segunda mão, não me interessava. O importante era ser barata (menos de 268?, portanto). Perguntei a várias pessoas onde é que poderia encontrar bicicletas baratas. A resposta que ouvi mais vezes mencionava um grande supermercado. Foi lá que procurei primeiro, portanto.

     

    Havia bicicletas muito variadas. Todas por volta dos 260/300?, algumas mais caras, e uma por 160?. Estranhamente, a bicicleta dos 160? (a coisa mais barata que vi até agora em Copenhaga), era brilhante, engraçada, de senhora e incluía cestinho. Parecia ter sido especialmente talhada para mim e ter estado ali desde sempre à espera que alguém com o meu perfil a comprasse.

    O sistema naquele supermercado era tirar um papelinho com os códigos da bicicleta, pagar na caixa, e ir ate ao armazém buscar a bicicleta. Depois de pagar, então, lá fui. Toquei à campainha para chamar o funcionário. O senhor apareceu pouco depois. Depois de lhe dar o papelinho identificativo da bicicleta, ele desapareceu por momentos. Quando reapareceu, trazia uma grande caixa. Não estava propriamente à espera daquilo. O senhor abriu a caixa. Lá dentro estava meia bicicleta e peças. Fiquei um pouco nervosa. Depois, o senhor voltou a desaparecer. Voltou pouco depois com uma caixa de ferramentas e disse "aqui tens ferramentas, caso precises". Entrei em pânico. Tinha mesmo que arranjar maneira de montar a bicicleta. Eu gosto de legos, mas nunca antes me tinha passado pela cabeça que um dia teria de montar uma bicicleta, muito menos uma bicicleta a sério.

    Como é óbvio, pedi ajuda ao senhor. Ele respondeu "não posso ajudar". Neste momento amaldiçoei o senhor, os dinamarqueses e a Dinamarca. Depois percebi que era tudo uma questão de cumprir regras. E se há coisa que normalmente se faz na Dinamarca, é cumprir regras.

    Não tive grande escolha senão pôr mãos à obra. Demorei uma eternidade, mas lá consegui pôr as coisas mais ou menos no sítio. As coisas excepto o guiador. Eu não sou propriamente expert em bicicletas, menos em bicicletas aos pedaços e, por isso, não consegui bem perceber o que tinha de fazer para instalar o guiador. O senhor não me podia ajudar e não apareceu ninguém no armazém a quem pudesse pedir ajuda. Tive de pegar na bicicleta mutilada e arranjar maneira de chegar até uma oficina de bicicletas ou, pelo menos, até casa, onde, com certeza, um dos meninos seria capaz de me ajudar.

    Parti, então, com uma bicicleta mutilada, um cesto de bicicleta e uma mala pesada com um computador lá dentro.

    Ali perto havia uma estação de comboio que me podia levar até ao centro da cidade. Fui até lá. Chegou um comboio que poderia apanhar pouco depois de eu chegar. A senhora revisora, coitadinha, primeiro pensou ajudar-me a por tudo no comboio e depois, pensando melhor, aconselhou-me a tentar o comboio seguinte. A verdade é que, com tanta coisa que trazia, não conseguia pegar na bicicleta para a fazer subir degraus.

    No comboio seguinte não tive problemas, a entrada era ao nível da plataforma. Pensei "será que a minha sorte está a mudar?". Não estava. A estação onde saí não era muito grande e a saída mais fácil era pelas escadas. Tinha, realmente, uma calha para levar a bicicleta mas, mesmo assim, com a minha carga ia ser um desafio. Peguei num dos cordões que tinha a atar o guiador ao ferro da bicicleta e atei o cesto também. Tentei subir as escadas com a bicicleta mutilada e a mala super pesada. Demorei, mas consegui. Só queria chegar a casa e não ter de pensar mais no raio da bicicleta.

    Depois da estação, caminhei mais 30min até casa. Foram 30 min intermináveis. Uma bicicleta sem guiador não é muito fácil de conduzir. Uma vez em casa, devia arranjar maneira de pôr a bicicleta nas traseiras, onde há mesmo um pequeno espaço protegido da chuva onde guardar bicicletas. Não tinha chave mas, finalmente, a minha sorte começou a mudar. Quando cheguei a casa, estava uma rapariga a abrir a porta de acesso a essa zona. Tive apenas de a seguir.

     

    Já estava mais descansada, mas ainda me faltava acabar de montar a bicicleta. Felizmente, algum tempo depois de eu chegar a casa, chegou também um dos meus colegas de casa. E com a ajuda dele consegui, finalmente acabar de montar a bicicleta.

     

    Foi uma maratona, conseguir esta bicicleta. E tudo porque quis a mais barata. Desde então, o meu amor ao dinheiro transformou-se e é, hoje, mais ponderado.

    Quanto à bicicleta, tenho a dizer que é bastante simpática, apesar de ainda me estar a habituar. Estou a aprender a andar de bicicleta outra vez. O importante é que a bicicleta cumpre a sua função na perfeição.



  • Copenhaga 2

    Copenhaga é uma cidade engraçada.

    Acho que aquilo que mais me agrada é o facto do "alternativo", aqui, ser mainstream e, por isso, de fácil acesso.

     

    Comecei a perceber a 'alternatividade' da cidade quando vi o meu "quarto temporário".

    Estou, até encontrar um espacinho para mim, numa sala que era, até eu chegar, uma sala de arrumos, cheia de tralha. Agora, além da tralha estamos eu, uma cama e as minhas malas. A minha porta é a moldura e suporte de um antigo espelho que se estragou e agora já não tem vidro. Mais alternativo que isto era difícil...

    Apesar de tudo, o sítio é até jeitosinho e confortável. Tenho até direito a rede wireless gratuita.

     

    Os prédios, aqui, tem uma óptima vista para o prédio em frente. Todas as janelas são indiscretas mas as pessoas não se preocupam. Na primeira vez que fui à janela tive vontade de dizer adeus ao vizinho da frente mas contive-me. Toda a gente tem acesso à vida dos outros mas ninguém quer saber disso.

     

     

    Estes primeiros dias têm servido para destruir os preconceitos. Eu julgava, por exemplo, que as meninas iam ser tão ou mais brancas que eu e enganei-me. Também julguei que todos fossem mais altos do que realmente são. Aqui sou tão baixa como em Portugal.

    Surpreendeu-me a simpatia dinamarquesa. Estava à espera de um povo tão ou mais frio que o alemão (ponto de comparação que tenho usado muito ultimamente) mas não encontrei nada disso. Os dinamarqueses são incrivelmente acessíveis e falam com qualquer pessoa sem reservas. Até a mandar pessoas embora de um sítio são simpáticos!



  • Copenhaga - o início

    Agora, sim, a primeira parte do relato da emigração.

    Há tanto tempo que não escrevo estas coisas que já nem sei bem como ou por onde começar...

     

     

    Às vezes, parece que há dias em que a vida acontece mais depressa. Os últimos dias têm sido dias desses.

     

    Primeiro, apanhar o avião foi uma maratona que resultou numa viagem em primeira classe; depois tive até direito a visita guiada à cidade. No dia seguinte, qual emigrante clandestina, perdi o dia inteiro para conseguir pedir uma simples autorização de residência. Sexta-feira foi o dia do excesso de informação. Sábado e Domingo, dias de descanso, foram dias de turismo intensivo.

     

     

    A maratona pré avião foi hilariante e deprimente. Primeiro, cheguei ao aeroporto bem cedinho e cheia de companhia. Pensava que ia ter tempo de sobra para fazer todas as coisas que se fazem antes de uma viagem de avião no aeroporto e muito mais.

    A utilidade de ser acompanhada até ao aeroporto é que os momentos de espera são muito menos entediantes quando temos companhia. Estavam a fazer controlo das entradas na zoa de check-in, de modo que toda a utilidade foi por água abaixo - acabei por ter de esperar eu e a companhia. Começou mal. A fila estava gigante porque tinha destinado todos os voos para a UE para os mesmos balcões. Uma vez no balcão, mandaram-me esperar mais porque, por qualquer razão, não podiam ainda atribuir os lugares aos passageiros. Quando finalmente tudo voltou ao normal, a senhora pôs-me num lugar de primeira classe. Não tive de pagar os 5 Kg de bagagem que tinha a mais e ainda tive direito a uma refeição mais jeitosinha e a entrar no avião sem passar por filas intermináveis. Pena foi que eu não sabia deste último pormenor até estar extremamente atrasada por ter estado numa fila gigante para a segurança.

    Nessa fila gigante encontrei um companheiro de maratona, igualmente com destino a mestrado de 2 anos em Copenhaga.

    Só quando tentámos a nossa sorte e fugimos à fila porque estávamos demasiado atrasados é que o senhor segurança nos disse que nós, passageiros da classe 'business' passávamos por um controlo diferente, praticamente sem fila. No fim, ainda chegámos a tempo ao avião, houve quem chegasse depois de nós e ainda tivémos com quem falar durante as 3h que durou o voo.

     

    Em Copenhaga tive, pela primeira vez na minha vida, alguém à minha espera no aeroporto. Pela primeira vez, também, estava lá alguém que nunca tinha conhecido antes. O Facebook é realmente uma ferramenta maravilhosa. Resultado: tive direito a guia até ao sítio onde estou a ficar e pela cidade.

     

    Foi um bom postal de boas-vindas, no fim de tudo.



  • Copenhaga 1

    Serve este post apenas para expressar a minha surpresa relativamente à quantidade de pedidos de relatos da minha nova experiência escandinava.



  • Parece-me que...

    ... este blog vai ressuscitar e a emigração é a culpada. Os meus pensamentos vão voltar a não caber em 140 caracteres.



  • Parece-me que...

     ... este blog morreu e quem o matou foi o twitter. Todos os meus pensamentos cabem, agora, em 140 caracteres. Seja o que for que isso significa.



  • Se eu fosse um homem arquitecto inglês...

    ... diria coisas como esta:

    "(...) you can always have an idea about anything, but it could be something even more, it could be even better, there's still room for improvement and manipulation and the application of ideas in almost every situation."

    Peter Cook aqui

     

     

    E este foi mais um episódio de "Maura descobre a arquitectura", não perca o próximo!



  • 2009 - o balanço

    Eu tinha dito que não ia fazer um balanço de 2009 mas, como acabei por pensar nisso, cá está ele.

     

    Os anos pares sempre foram, para mim, mais amorosos que os anos ímpares. 

    talvez por isso, a palavra que usaria para descrever o meu 2009 seria "aventureiro".

     

    Mundialmente, 2009 foi o ano, diria eu, de Obama e da Susan Boyle. Pessoalmente, 2009 foi o ano das viagens, o ano da emigração, o ano em que votei duas vezes e o ano em que fui ao Algarve pela primeira vez. Não foi mau, não.

    3 meses e meio em Portugal, 5 meses na Alemanha e outros 3 e meio em Espanha com visitas à Holanda, Hungria, República Checa e Reino Unido pelo meio; 5 casas diferentes durante um ano; uma viagem por Portugal como guia turística de uma simpática latino-americana e um bocadinho de voluntariado. 

    Muitas pessoas novas, muitos exemplos de vida, muitas histórias mas poucas novas amizades para a vida.

     

     



  • Decisões

    Sempre odiei tomar decisões. E quanto mais importantes são, pior.

    À medida que as pessoas crescem a questão das decisões agrava-se. É preciso tomar cada vez mais decisões e elas vão-se tornando cada vez mais importantes.

    Eu gostava que tomassem decisões por mim.

     

    Neste momento, preciso que alguém decida por mim o que vou fazer depois do meu estágio. Trabalhar ou fazer mestrado? Em qualquer dos casos: em quê? E onde? Em Portugal ou fora?

     

    E o pior é que estou convencidíssima que estas três decisões vão decidir o rumo da minha vida. E eu que não gosto de coisas definitivas...

    Ai ai

     



  • A transformação continua

    Estou mesmo a transformar-me numa dona de casa, das verdadeiras.

    Há uns dias atrás tomei o pequeno-almoço de avental, para me assegurar de que não sujava a toilete. A toilete consistia num super profissional-executivo conjunto saia preta pelo joelho e blusa branca.

    Para completar o cenário, enquanto comia os meus cereais integrais de avental vestido, lia Dostoiévski.

     

    Qual será a fase seguinte da metamorfose?




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