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O Afilhado está oficialmente encerrado. Foi mais de um ano extraordinário. Esta singela página trouxe-me muito de bom que, por egoísmo primário, não partilho. Quero que seja tudo só meu. Mas, como tudo, tem de ter um fim. O tempo escasseia, uma nova vida começou e manter este espaço ao mesmo tempo que publico noutro iria ser muito difícil. Escolhas têm de ser feitas e escolhi esta via. Os amabilíssimos comentadores que aqui deixavam sempre estimulantes desafios estão mais que convidados para se mudarem comigo para o Corta-fitas, onde vou estar em «exclusivo».
Blá-blá-blá. Snif. Foi bom. Muito bom.
Para os que, por masoquismo tolo, quiserem contactar-me, têm ali em cima o meu e-mail e aqui ao lado o link para o meu twitter.
Não consigo compreender como é possível que, num país europeu e desenvolvido, se continue a discutir a nacionalização do aparelho produtivo e o combate ao «grande capital». Pior do que isso, não compreendo como é possível que 20% dos eleitores portugueses se deixem deslumbrar por algo tão mau para a sociedade e a economia.
Temo que 20% de eleitores da extrema-esquerda seja apenas a prova que os programas de História do ensino básico estão desajustados.
Ganhei a aposta. Foi um debate, como diz o João Gonçalves, entre dois evangelistas. O falso choque de Sócrates em relação aos ataques à classe média que o Bloco pretende perpetrar e o constante ar maquiavélico e moralista de Francisco Louçã apenas legitimam que se diga da nossa esquerda que é a pior da Europa.
P.S.: Uma pequena nota para o observador atento: repare-se que Sócrates aproveita todas as suas aparições, até os debates televisivos com os líderes da oposição, para atacar Manuela Ferreira Leite. Há uns meses isto não acontecia.
O debate entre Francisco Louçã e José Sócrates vai ser miserável. Teremos duas pessoas com uma tremenda falta de honestidade intelectual a competir pelo lugar de o mais modernaço cá da quinta. A demagogia do Bloco vai passar incólume, os «neo-liberais» da «direita» vão ser bem malhados e pronto, será isto. Nem sei se vou ligar a televisão.
O facto de não darmos importância aos deputados, às caras, faz com que sejam, regra geral, pessoas incompetentes. Pessoas incompetentes e dependentes dos partidos em que militam. Isso leva a que, em vez de fiscalizador e verdadeiro representante do povo, o Parlamento seja uma bengala do governo. A isso e a que as leis portuguesas sejam puro lixo.
É preciso que o poder legislativo e executivo sejam mais independentes um do outro. Muito mais independentes.
Dia 27 de Setembro vamos eleger os deputados da nação. São eles quem legisla. É uma tarefa importantíssima, no entanto, ninguém quer saber deles. Apenas queremos peões que levantem o braço para que seja este ou aquela o Primeiro-Ministro. Os deputados portugueses são isto: peões.
Bem sei que só venho aqui de quando em vez, quando o sr. Ramalho me pede uma perninha e eu, atrevida, acedo com agrado. Mas obriguei-me a voltar aqui para responder ali à senhora dona Eugénia que teve o desplante de dizer que sou avó do Sócrates, esse malandro. Olhe minha senhora, desta Clotilde que a terra há-de comer, deleitada, nunca brotou rebento algum, que o meu Adolfo tem lá umas coisas que não posso dizer aqui e sou mulher de um homem só. E mesmo que, por acaso do destino, me fizesse um filho o meu homem, nunca por nunca me saía um Sócrates. Com franqueza. Por quem me toma?
Escreve o Luís M. Jorge, num texto que desconfio irónico ou inacabado, que o eleitor racional vota em Sócrates. Para isso elenca uma série de coisas certamente consideradas boas por alguns que este governo trouxe. São muitas: a avaliação de professores, que parece ser melhor má que inexistente; os Magalhães subsidiados, a JP Sá Couto acha esta muito «racional»; o défice «controlado» à custa da receita e sem qualquer reforma da Administração Pública; o aumento das prestações sociais; e, ainda, a Obras Públicas que sejam boas ou más são boas – há cada raciocínio. Não sei se o texto serve para por a nu a triste argumentação da maioria, mas se não for, Luís, falta aí um pouco de racionalismo.